Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Tenho seguido a polémica da nova campanha publicitária da Benetton e devo confessar que me passa ao lado a motivação para as ferozes manifestações de indignação que tenho visto por parte de alguns católicos.

Em primeiro lugar, o Papa tem todo o direito de processar a marca. Independentemente de ser, na minha opinião, uma óptima campanha, é mais do que legítimo que Bento XVI e o Vaticano não aceitem que a sua imagem seja manipulada e usada por uma sociedade com fins lucrativos para vender camisolas.

Dito isto, aqui cessa a minha capacidade de perceber a indignação. A campanha é forte, polémica, envolve várias altas personalidades, mas não é jocosa, agressiva ou desqualificadora das pessoas em causa. Eu gostei, e se tivesse sido um cartoonista, um artista plástico ou uma qualquer entidade com fins não lucrativos a fazê-la, não teria a menor das dúvidas em recomendar aos indignados um lexotan.

Bento XVI não é apenas um líder espiritual, é um relevantíssimo agente político. E a sua imagem, neste caso concreto, foi usada para promover uma mensagem de conciliação. Posso estar enganada, mas se essa é também uma das mensagens da Igreja (pela qual tanto lutou João Paulo II no seu pontificado), os indignados não estão preocupados com a mensagem final passada pela utilização daquela imagem. Estão indignados porque lá está um beijo na boca entre aquelas duas pessoas. E, sinceramente, desde a primária que ver beijos na boca deixou de ser causa de sobressalto.

publicado por Laura Abreu Cravo | partilhar
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